Doçura e bondade, Conto de Guerra Junqueiro

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Doçura e bondade

Há entre vós, meus filhos, índoles violentas, que não sabem dominar-se, e que são arrastadas pelas primeiras impressões. É uma péssima disposição, que é necessário corrigir; dá lugar a disputas, e a que se cometam ações, cujo arrependimento chega demasiadamente tarde. Citar-vos-ei dois exemplos de que fui testemunha.
Um rapaz, sacudido violentamente na rua por um homem que vinha diante dele, volta-se e dá-lhe uma bofetada.
— Oh! senhor! exclamou o outro, mal sabe a pena que vai ter! bateu num cego!
Um homem ainda novo montado num burro, atravessava uma aldeia, e uns camponeses grosseiros começaram a apupá-lo e a bater no burro, para o fazer correr. O homem apeou-se, foi direito a eles, e, mostrando-lhes a sua perna aleijada, disse-lhes: “Se soubésseis que eu era coxo, não teríeis sido tão covardes.”
Os camponeses, envergonhados, coraram, afastando-se sem pronunciar uma palavra.
Que vos parece estas duas lições? Estou convencido que aproveitaram a quem as recebeu.

Pesquisa e atualização ortográfica: Iba Mendes (2017)

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