Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto, Poema de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

0Shares

Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto

Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada
A recordação é uma traição à Natureza,
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.
Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!

0Shares
   

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *